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O preço da atenção nas redes sociais em ano eleitoral

11 de set.
4 min de leitura

Há poucos meses, escrevi que 2026 seria um ano mais caro para quem investe em tráfego pago no Brasil e indiquei que entre os principais motivos para esse cenário estariam o início da cobrança de impostos pelas plataformas (especialmente, a Meta), a Copa do Mundo e as eleições gerais no nosso país. 


Pois bem! Estamos no meio da corrida eleitoral para deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da república. A consequência é o aumento exponencial de conteúdos relacionados à política nas redes sociais e os anúncios patrocinados entram nessa estatística.


Com certeza, você já deve ter lido sobre o assunto, mas ainda assim se pergunta: como isso influencia na minha estratégia de tráfego pago? Pode parecer estranho pensar que uma campanha política tenha impacto sobre o anúncio de uma loja, indústria, clínica ou prestador de serviços, mas existe algo que todos eles disputam: a atenção das pessoas.


E aqui está o segredo que pode mudar o rumo do jogo e das suas vendas nesse período. Quer ver só? O primeiro passo é entender os bastidores de como as plataformas funcionam e como os anunciantes aparecem para os usuários. Em linhas gerais, fazer tráfego pago é participar de grandes leilões.  


Vários anunciantes querem aparecer e disputam as oportunidades disponíveis para exibir seus anúncios. Na Meta, por exemplo, a entrega é determinada dinamicamente de acordo com diversos critérios relacionados ao anunciante, ao público e ao valor daquele anúncio para o usuário.


Atenção: uma moeda muito rara e bem cara


Agora, imagine esse cenário durante uma eleição nacional. Além da pizzaria, da loja de roupas, da construtora, da indústria e do profissional liberal, entram nessa disputa milhares de campanhas políticas tentando alcançar pessoas em diferentes cidades, estados, idades, perfis e com alto poder de investimento diário. 


Resultado? Mais gente querendo a atenção de uma quantidade limitada de usuários. E atenção é uma moeda rara e bem cara. Isso não significa que o seu CPM ou CPC obrigatoriamente vai dobrar da noite para o dia. 


O impacto depende da região, público, objetivo, criativo, posicionamento e concorrência de cada campanha. Porém, quanto maior for a sobreposição entre o público procurado pelos anunciantes comerciais e eleitorais, maior tende a ser a pressão competitiva dentro do leilão.


Especialistas do mercado projetam aumentos de 15% a 30% no custo por mil impressões durante o segundo semestre de 2026, com picos que podem passar disso nas semanas mais quentes da corrida eleitoral, principalmente perto do primeiro e do segundo turno. 


Quer mais um ingrediente que impacta essa brincadeira? Os anúncios políticos não são os únicos que disputam espaço no feed das pessoas. Debates, pesquisas, notícias, cortes de entrevistas, memes e todo tipo de conteúdo relacionado às eleições aumentam a quantidade de informação circulando nas redes sociais. No fim das contas, o usuário tem ainda menos tempo para decidir o que merece sua atenção.


Isso acontece em todas as plataformas? 


Aqui vem a parte curiosa: o Google decidiu, desde 2024, não vender espaço para propaganda eleitoral paga. Nem no YouTube, nem na busca, nem na rede de display. Manteve essa política para 2026. Ou seja, quem concorre a cargo público não compra anúncio ali.


O TikTok também não permite publicidade política, incluindo anúncios pagos e criadores remunerados para produzir conteúdo político de marca. Isso significa que Google e TikTok passam ilesos pelas eleições? É claro que não.

O comportamento das pessoas muda durante um evento desse tamanho.


A atenção se desloca, assuntos políticos dominam conversas, vídeos, pesquisas e feeds, além de haver uma redistribuição dos investimentos entre plataformas. O impacto pode ser indireto, mas o contexto digital definitivamente muda.


O que a sua empresa pode fazer? 


A resposta não é simplesmente aumentar o orçamento ou, ainda mais grave, parar de anunciar. Aliás, fazer uma pausa no tráfego pago deve ser tirada de toda e qualquer cogitação. Mantenha os patrocinados ativos mesmo em período eleitoral. É melhor pagar um pouco a mais agora, mas não sumir do jogo e, principalmente, da cabeça do cliente.


O melhor caminho é revisar metas de CPC e CPM contando com esse aumento, testar formatos e públicos com mais folga (evitando concentrar tudo nas semanas de pico) e diversificar canais para não depender só de um leilão lotado de político - quem sabe, é aqui que está o pulo do gato.


Pare e pense comigo: se sua estratégia depende 100% de uma única plataforma, talvez as eleições apenas estejam escancarando um problema que já existia. Além da Meta, Google, LinkedIn, TikTok e outras possibilidades devem ser avaliadas de acordo com o público e o objetivo da sua empresa.


A eleição passa, a estratégia fica 


Em resumo, o bombardeio de conteúdos e anúncios políticos até 4 de outubro de 2026 será gigantesco por esse ativo humano chamado atenção. Agora, uma coisa é certa: a eleição vai chegar e vai passar. Vamos escolher nossos representantes para os próximos quatro anos. O que fica é a estratégia. 


Por isso, o melhor escudo para atravessar esse período não é interromper os anúncios ou esperar que tudo volte ao “normal”. É conhecer profundamente o público, produzir conteúdos melhores, acompanhar os dados e fazer ajustes antes que o orçamento comece a escorrer pelo ralo. Eleição ou não, a regra continua a mesma: quem entende melhor a pessoa do outro lado da tela larga na frente no leilão pela atenção.



 
 
 

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