O risco do imediatismo no audiovisual: a era que exige agilidade criativa
- 30 de jan.
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Uma das características da contemporaneidade é o fato de existirmos em um período no qual “precisamos” ou queremos tudo às pressas, principalmente para quem trabalha na área da comunicação. E, de fato, dominar essa habilidade é, sim, um talento, mas existem algumas controvérsias a respeito disso.
É muito comum hoje em dia vermos criadores de conteúdo, agências e produtoras oferecendo como produto a “entrega em tempo real” - que nada mais é que a prática de captar, editar, finalizar e postar - quase como uma receita instantânea. Enquanto produto, isso é algo muito interessante para quem entrega e pode oferecer aos clientes, mas até que ponto isso é, de fato, ser produtivo?
A partir disso, surgem alguns problemas. O primeiro é quando a velocidade passa a ser tratada como sinônimo de criatividade. A criatividade é o ingrediente principal para qualquer profissional da área da comunicação, mas, assim como qualquer outra habilidade, ela precisa ser estimulada, exercitada, desenvolvida e, às vezes, isso exige tempo. Produzir rápido não é, necessariamente, um gesto criativo.
Esse imediatismo funciona muito bem para alguns ramos específicos e é amplamente aplicado dentro de áreas como o audiovisual, social media, criação de conteúdo, videomaker, produção de bastidores e até o jornalismo. O problema surge quando o mercado não entende a diferença entre quem trabalha nesse ritmo e quem não segue essa lógica de criação, mas necessita de mais tempo para pensar, testar e amadurecer ideias.
Criatividade não é uma fórmula, mas um processo que pode existir tempo
É nesse ponto que muitas empresas passam a esperar que uma única pessoa desempenhe o trabalho de uma equipe inteira. Que pense, crie, capte, edite, finalize, publique e ainda entregue tudo com excelência e rapidez. Essa expectativa ignora que processos criativos demandam foco, energia e tempo e que acumular funções não acelera a criatividade, apenas sobrecarrega o profissional.
Não se trata dizer que o imediatismo no audiovisual é um problema em si, mas de reconhecer que ele nem sempre é compatível com todos os tipos de criação. Muitas vezes, o que existe é um mal-entendido onde velocidade é confundida com talento e criatividade é tratada como algo automático quando, na realidade, ela é um processo que nem sempre acontece de forma imediata.
Criatividade não é um processo homogêneo. Existem ideias que surgem no impacto do instante, quase como um reflexo, e outras que só se constroem com o tempo. Tentar enquadrar todos os processos criativos dentro do mesmo ritmo acelerado é reduzir a criação a uma fórmula, empobrecendo o resultado e anulando a complexidade que dá valor ao trabalho criativo.
Quando todas as demandas passam a exigir resposta imediata, perde-se o entendimento de que pensar, testar e amadurecer também fazem parte do trabalho. Se o processo criativo exige elaboração e risco, não faz sentido submetê-lo à mesma lógica da urgência constante. Velocidade e profundidade são habilidades diferentes e confundi-las é um dos grandes ruídos do audiovisual contemporâneo.


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